“…Se me perguntarem o que é a minha pátria direi:
Não sei. De fato, não sei
Como, por que e quando a minha pátria
Mas sei que a minha pátria é a luz, o sal e a água
Que elaboram e liquefazem a minha mágoa
Em longas lágrimas amargas. (…)”
Vinicius de Moraes – Pátria Minha
O amor pela pátria é como o amor que sentimos por uma mãe, que nos deu a vida e nos educou, nos criou, nos deu identidade, língua e cultura. É um amor inerente a nossa escolha, já nasce pré-estabelecido. E ainda que a vida que a nossa pátria proporcione enfraqueça esse amor, a ligação nunca se perderá completamente.
Existe com a nossa terra natal uma relação eterna de amor e de dor, pelo menos é o que sinto sobre o Brasil.
E entender esse país é uma missão sinuosa. Retratar uma nação que nasceu das misturas dos povos do mundo não poderia mesmo ser considerado uma tarefa fácil.
Quem por algum motivo abandona a sua terra fica eternamente com o coração divido. Inicialmente reforçamos as nossas características brasileiras quando estamos no exterior, mas ao longo desse processo acabamos mudando pois não podemos evitar de sermos atingidos por um novo ambiente social. No final das contas, ao retornamos ao nosso país natal, já não seremos tão brasileiros e nem tão extrangeiros, um eterno paradoxo para se avaliar nos processos migratórios.
Confesso sentir uma pena por perceber que a minha pátria não consegue oferecer sempre as condições dignas para que sua população nunca queira abandoná-la, entretanto, a amo e ela será eternamente parte do o que eu sou, da minha visão de mundo. Não tenho dúvida que essa ligação influenciará todas as decisões da minha vida.
Não há uma solução fácil.