Aire

6 de outubro de 2009 - Deixe seu recado!

“quien no da la vida por un sueño?”

“quien no da la vida por ser dueño?”

Ganas de cruzar el charco… Aire! aire de la mar, aire del infinito desierto.

.+.

As moiras, as três moiras são figuras da mitologia grega, responsáveis, pela vida, destino e morte.

São representadas por mulheres, ora representadas por figuras sinistras, ora por belas donzelas que tecem o fio da vida, determinam sua “fortuna” e o cortam na morte.

“la puerta del oriente” pa’ mi suena como Alhambra.

Quase um presentimento. Acontece como um presentimento, sabemos simplesmente o que vai acontecer. Talvez um sopro de uma moira revelando algumas curvas do caminho.

Existem momentos plenos. Como alguns segundos de uma noite agradável que dedicamos a admirar a lua, cheia, plena e absoluta.

Existem músicas que preenchem, sentimentos sem explicação.

Parece existir sensações, ventos, aires de outros tempos, de um calendário extinto, como memórias sinestésicas, fugazes de algo que já aconteceu, sem acontecer, um eterno deja vu. Assim me sinto por vezes.

Quantas vezes insiste em se repetir? Um sentimento doloroso de pena e nostalgia de algo que não se pode lembrar.

Se quem deu a vida determina a trajetória, quem nasceu dela o que faz o que lhe resta?

*.*

Emoção

12 de setembro de 2009 - Deixe seu recado!

Dizia dona Canô em uma entrevista, com uma voz doce e de uma tranqüilidade invejável “Bethânia não cantava… por que tinha a voz grossa”

Eu fico imaginando… Quando se decide ir contra as previsões da lógica convencional, a coragem que exige tomar essa decisão.

E a frase se repete nos meus pensamentos “Bethânia não cantava…”

Às vezes meus olhos se enchem de lágrimas. 

Uma emoção indescritível.

A voz da Bethânia, para mim, soa como uma poesia e sinto que se perderia muito, se ela tivesse decidido nunca cantar.

-

Gitanices

Um vídeo impressionante de uma das mais emblemáticas bailaoras de todos os tempos do Flamenco.

Como eu gosto disso, eu realmente não sei explicar por que.

O Lado Criativo

29 de agosto de 2009 - Deixe seu recado!

Lado criativo? Loucuras momentâneas?

Criativos correm riscos.

Se as recompensas forem doces, porque não ir correndo atrás de um bom bocado de idéias insanas!

 

A linha que divide a razão é um fio de cabelo, fina, volátil e incontrolável, nasce na cabeça norte da consciência, mas caem aos montes suicidando pelo chão.

Grandes ícones morreram de excessos, grandes personalidades são excêntricas, grandes sucessos surgem de combinações incomuns.

Devo começar a beber? muitos diriam que sim, ela nunca bebe, queremos vê-la bêbada!

Excentricidade às vezes é um ponto de vista.

Combinação incomum? vale ser muito mestiça? vale ser uma receita de múltiplas nacionalidades? Ou simplesmente ser brasileira define bem tudo isso?

Qual é a criatividade que dá dinheiro? 

Eu só quero que o meu lado criativo me traga boas surpresas! :)

Loucas idéias de sexta-feira noite.

Sociedade

17 de agosto de 2009 - Deixe seu recado!

Mini Documentário -  ”Agua, aceite, harina y sal”

Abuelita mona!!!! Super sensível, adorei!

“Não sabendo que era impossível, ele foi lá e fez” Jean Cocteau

Qual é o futuro que nos espera? Quanto tempo essa sociedade em que vivemos irá se sustentar? 

São Paulo é um mar de possibilidades. É retrato vivo de quantas combinações, formas e cheiros podem conviver simultaneamente. 

Amamos e odiamos a cidade onde nascemos, é verdade, mas algumas idéias são difíceis de conceber.

Qual é o sentimento de jogar lixo no chão?

Porque destruir os poucos patrimônios que dão cor e vida a uma cidade sufocada pelo sue próprio ritmo de vida, trabalho e crescimento desenfreados?

Todas as filas que pegamos são mesmo necessárias?

Ok, o trânsito, a mega população são problemas complexos, mas porque deixamos a prefeitura, e outros orgãos públicos tomarem qualquer atitude, apenas pela política que favorece a poucos? E porque nos sujeitamos a tudo, em viver em qualquer lugar, sob qualquer condição apenas por estar em São Paulo? 

Sabemos que as 8 horas de trabalho sempre ao final do dia se transformam em 12, 14 principalmente em conjunto com trânsito e os problemas de trabalhos inadiáveis, mas pergunta é, como nos convencemos de que isso é normal?

Trabalhar não é castigo,  ou em teoria não deveria ser. Entretanto deixar a balança desiquilibrada, nos transforma em panelas de pressão, prontas a explodir.

Como enganamos o nosso coração para não sentir as penas das pessoas que vivem na ruas, aos milhares, as crianças que passam pela vida sem a infância, a exacerbada violência e o medo dos dias atuais?

Ser feliz, é verdade, é uma questão de sentir de dentro pra fora, a alegria é um estado de espírito, individual, tudo bem, mas a sociedade como todo está doente, e mesmo que sejamos afortunados para viver uma vida digna e cheia de momentos felizes, está difícil aceitar tudo o que não anda bem por aqui.

Desabafos de domingo a noite, rs.

Protesto Humano

4 de agosto de 2009 - Deixe seu recado!

Ospina: “Ya es tarde para decirle a Colón que no desembarque”

A colonização não foi uma escolha.

Viver da maneira que os estrangeiros forçaram os nativos brasileiros, não foi uma escolha.

Hoje, somos um nação de mestiços. De certa maneira eu me orgulho disso. Pela riqueza da mistura, por um povo tolerante ao novo, ao misto, ao plural.

Mas às vezes quanta decepção. Às vezes, apenas, rs.

Confesso que me dá muito medo de pensar que somos uma população passiva, que não sabe reagir.

Vou contrariar um pouco os meus conceitos e vou comentar um assunto muito polêmico: os fretados.

Sou contra a restrição, mas não vou escrever um discurso sobre os meu motivos, só que eu preciso perguntar: foi pensando em quem que o prefeito tomou essa decisão?

Será pelo trânsito, será pela cidade? Será pela política?

Com certeza não foi pensando no povo, muito menos nos usuários que não foram consultados sobre uma medida que entra vigor tão rapidamente e deixa pessoas na “marginal” sem saber pra onde ir.

Não somos considerdos na gestão pública. Parece que somos esquecidos, parece que a gestão pública não deve representar o povo, muito menos trabalhar com e para ele. Na prática é o que acontece.

O transporte público é “sofrível”, digo como usuária que sou.

Não sei se os fretados foram um erro, mas prefeito, essa atitude não colaborou. Não quero pensar nos desempregados, não quero pensar nas pessoas que vivem longe e submetem a horas de viagem para ajudar a mover essa máquina alucinante que é São Paulo.

São milhões de pessoas, não planejar uma ação que afeta estas proporções é uma medida suícida, e decisória na próximas eleições, eu ainda voto e tenho boa memória.

Então gostaria de fazer um protesto em valorização ao ser humano, de sua dignidade, que as próximas decisões se baseiem em primeiro e único lugar na vida das pessoas.

No final das contas, acredito que está bem na “fita” é secretário municipal de transportes. Provou que está muito bem em relação a forma física, correndo dos usuários de fretados e provou que não precisa de nenhum meio de transporte, público e ou privado, apenas de um bom par de tênis de corrida! Tá certo ele, cuidando da sua própria saúde, já que do transporte… ele abre mão.

Arte e Atitude

2 de julho de 2009 - Deixe seu recado!

“Como todas las cosas están llenas de mi alma
emerges de las cosas, llena del alma mía.
Mariposa de sueño, te pareces a mi alma,
y te pareces a la palabra melancolía; “

Pablo Neruda – Me gustas cuando callas

-*-

O que é um crítico de arte? Sempre pensei a respeito…

Aliás eu tenho uma certa impressão que as críticas negativas são as que mais dão “ibope”.

Digo isso por lembrar de um crítica de um jornalista espanhol sobre o último filme do Almodóvar “Los Abrazos Rotos”. O jornalista usou o nome de um filme antigo do diretor para lhe alfinetar(“O que fiz para merecer isso?”).

O cineasta reagiu e deu sua opinião: a crítica teria sido injusta.

Dizer que acatamos a tudo sem preconceitos, dizer que somos abertos a todas manifestações artísticas, que não existe o feio, me parece exagero.

Opinião é opinião. É a sua versão da história, é o que se sente, no que se acredita em determinada fase da vida.

Opinião também é dizer “não gostei”.

Pra mim o que acontece é que coisas se misturam e  que o poder se centraliza demasiado.

É muita coisa poucas pessoas decidirem o que é o bom, o que é arte, como ela se manifesta. Como também é impossível aprazer a todos. Mas a garantia que se tem de mais pessoas participarão deste universo é a pluralidade, a opção de muitas pessoas ao mesmo tempo opinarem. A internet já deu esse ponta-pé.

Sobre o Almodóvar dos filmes que já assisti, o que mais gosto é o Volver, que aliás, foi sucesso de crítica internacional, e também recebeu muitos elogios do mesmo jornalista que alfinetou o filme Los Abrazos Rotos.

A palavra importante nessa história toda é liberdade.

Vamos comemorar a liberdade de criar e criticar. De elogiar e de não recomendar, de ter acesso e de poder se expressar.

*-*

Não é dizer que o feio não existe, mas acreditar na beleza das infinitas combinações.

Não é alegar que a dor é intelectual, é saber que senti-la nos transparece normal.

Assim como a raiva, o orgulho são destemperos dos que sentem, dos que vibram, dos que vivem revelando-se seres plenos de emoção.”

-*-

E se me permitem uma opinião sobre Volver, diria que é um filme sobre atitude, sobre escolhas de três gerações de mulheres, das mais corajosas. Emociona, tem um sentido de realidade, de identificação. Um drama, em todas definições. Eu diria que vale a pena conferir.


Palavra escrita

18 de junho de 2009 - Deixe seu recado!

fly

“Alegrías es aire, soleá, seguiriya es tierra, pero alegrías es aire”

Rafaela Carrasco

Em uma das minhas aulas de espanhol, perguntei porque na maioria das vezes eu lia “el mar” nos textos, mas também encontrava “la mar” em outros . A resposta me surpreendeu, lembro muito bem quando a doçura daquela catalana me disse que alguns autores e poetas preferem ser referir ao mar, como uma mulher, como uma figura feminina, e daí  então a explicação de “la mar”.

Estou ansiosa por ver o mar. São as minhas férias, aguardadas, me esperando do outro lado da porta.

Mares do Brasil, mares andaluces, puerto de mar de Almería, como dizia la Manuelita, como conta mi “mare” querida.

Como Dario Ergas escreve “oceano que comunica mundos distantes”.

Literatura, palavra escrita é tudo. Eterniza.

Comunica, alivia, expressa, carrega, dedica, emociona, matiza.

É um crime que haja pessoas que nunca aprenderam a ler e a escrever.

A palavra liberta, prende, responde, explica, guia. A palavra escrita está em 90% do nosso campo de visão. Ela está nos letreiros dos ônibus, na carta esperada, está explicando as contas a pagar.

A palavra está na poesia, nos livros, nos diverte, pode até nos fazer uma pessoa diferente.

Que nunca saia do nosso pensamento (para quem quer um Brasil melhor):  é preciso erradicar o analfabetismo.

*-*

Chico Buarque – Tanto Mar…

Porque te pago?

7 de junho de 2009 - Deixe seu recado!

“-Você não sabe o que fiz por essa empresa…

- Prefiro nem imaginar-lo.

-Dei o melhor da minha vida!

-Que desperdício meu filho!

-E fiz tudo sem nenhum interesse! Pelo único bem da empresa!

-Jura? Então você renuncia ao seu salário também?

-Ao contrário, estava pensando em um aumento de salário…

-Que chateação!”

*-*

Pelo o que me pagam realmente?

Será que as relações de trabalho e seus paradigmas irão mudar algum dia?

E também não posso deixar de pensar em talento e competência, como palavras chaves no que se refere ao trabalho.

Amar o que faz, é uma dádiva. Ser bem remunerado por isso é uma recompensa.

Acredito também, no saber técnico, em tarimba na execução de tarefas. Às vezes o serviço constitui em cumprir uma série de atividades, talvez não tão desafiadoras sempre, mas necessárias. Ainda que não as ame, também não se pode odiá-las, porque aí fica impossível ter algum resultado positivo no final do dia de trabalho.

Para mim, a vida é composta de uma somatória de momentos, dentro e fora do ambiente de trabalho. Meus chefes que me perdoem, e olha que são muitos, mas tenho muita vida pra viver fora do escritório. E se tiver com as minhas obrigações em dia, quando cumpro o meu horário, vou-me embora sem demoras.

Sobre o talento…

Vejo o talento como resultado de muito esforço, no sentido de lapidar habilidades.

Vejo como característica intangível e sem forma, quase um sentir, um saber empírico. Puro, como algo da natureza, não escolhe momento para se manifestar, amadurece, e floresce no seu próprio tempo.

O trabalho mecânico, faz a máquina girar, o trabalho, o talento e a competência constroem grandes coisas. Talvez seja utópico, mas é nesse segundo conjunto que acredito e procuro encontrar.

-*-

Diversão internética:

;)

Camera Café (esquetes de comédia do ambiente corporativo, na hora do cafezinho, rs!!)

Batalhas Perdidas

23 de maio de 2009 - Deixe seu recado!

Ilha_bela

“Dicen que a un hombre se le conoce por todo aquello que ama”

Marcomar, Lima,  Perú

Escutei algumas definições “curiosas” sobre gestão pública.

Li uma resenha-guia sobre turismo no Brasil para estrangeiros.

Sobre a gestão, ficou a o pensamento “batalhas perdidas”

Do turismo brasileiro “se o Brasil é um país violento: sim, é” “Se temos que tomar precauções que talvez não tomaríamos em outros país: teremos”

Eu não gosto de ser pessimista, ou amarga. Porque acho fácil usar esses sentimentos para cavar um buraco, nos enterrarmos e justificar a nossa insatisfação. Como também se torna um caminho fácil para a infelicidade, e não preciso dela na minha vida.

Mas eu acredito que é preciso gritar, nos manifestar, nos colocarmos em primeira pessoa nos discursos. Admitir que nós fomos lesados, massacrados, desrespeitados, oras.

É muito dura a sensação de batalha perdida. Eu admito sentir um medo de colecionar fracassos, de final das contas olhar atrás e não ver nada construído, só alguns tijolos que não foram a lugar nenhum.

O Brasil não pode seguir assim, levando no jeitinho brasileiro. Admitindo incompetências e ainda mais no setor público. É multiplicar o absurdo a nível público, é arruinar toda uma população. Quem exerce um cargo público precisa antes de reclamar salários gordos, agarrar o toro a unha em suas responsabilidades. E o povo também deve estar lá, batalhando junto.

O que adianta o Brasil ter praias maravilhosas, verdadeiros paraísos, se provamos não saber cuidá-los. Se demonstramos estar sob total pressão da violência, se o nossos destinos perdem muitas vezes na escolha dos turistas que temem más experiências.

A resenha-guia para turistas estrangeiros, não era negativa, era real. Aconselhava, se mostrou contra o medo paranóico, mas não pode dizer que aqui não se faz necessário tomar certas precauções. Ainda que um turista precisa estar “ligado” em qualquer destino no mundo, no Brasil ainda existem situações que exigem maiores cuidados. Não dá para mentir.

-*-

Um vídeo da bailaora flamenca Belén Maya(espetáculo Mujeres), porque eu gosto sim! Eu amo sim! Faz parte de quem eu sou.

Assim como valorizo as histórias da minha família,  a pessoas especiais, a poesias que me inspiram, aos meus sonhos, ao cheiro da chuva, aos dias de frio com sol, aos olhares de carinho, ao meu fascínio por pessoas incríveis, a simpatia, a um sorriso natural e desmedido.

Pátria

4 de maio de 2009 - Deixe seu recado!

familia

“Se me perguntarem o que é a minha pátria direi:
Não sei. De fato, não sei
Como, por que e quando a minha pátria
Mas sei que a minha pátria é a luz, o sal e a água
Que elaboram e liquefazem a minha mágoa
Em longas lágrimas amargas.
Vontade de beijar os olhos de minha pátria
De niná-la, de passar-lhe a mão pelos cabelos…”

Pátria Minha
Vinicius de Moraes

-*-

Assistindo a uma palestra de um francês sobre as atividades que desenvolve na periferia de Lyon, não conseguia evitar de pensar que aqui, no Brasil, o buraco ainda é bem mais embaixo.

Porque para mim estamos aprisionados, ainda nos deixamos aprisionar. Como permitir uma população analfabeta? Como deixá-la passar fome? Como permitir ser humanos tão desacreditados? Como se a miséria fosse aceitável, bastasse.

Desculpa, não basta.

As coisas não são melhores apenas por força do dinheiro, do conhecimento formal, das convenções de luxo. No simples eu também enxergo muita beleza. Só que o simples deve ser uma escolha, quase um pressentimento e não a impossibilidade de criar, de não estar preparado para abrir as asas do pensamento e voar.

E nesse meio todo, essa xenofobia irracional.

O francês deixou um convite para o intercâmbio… eu estou procurando essa ponte mas ainda não a encontrei.

Eu não entendo esse ‘nacionalismo’ exacerbado.

O que eu gostaria como brasileira que sou é apenas ver o meu país menos castigado.  É essa a bandeira que quero levantar.

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